Palavras

18 ago

As palavras eram muito frágeis

Se perderam ao vento

O papel as levou

Prenderam no fio da linha

E se dividiram

As palavras não aparecem mais

Guardaram-nas

Agora são lavras

Anúncios

A poesia vive pensamento e logo incidirá à pele porque ela é todo corpo, é Poesia em Flor de todo dia.

27 jul

“Vai sempre avante a paixão, buscando seu doce fim; os amantes são assim: todos fogem à razão.”

17 abr
Soneto

Soneto

Atemporal

15 abr

o acaso é sempre mais rico e

a falta de pretensão surpreende

o excesso ou a ausência de palavras

 

por um instante aquela surpresa

pareceu vã, mas não foi. Ficou a

estúpida certeza de ter sido

estúpida por deixar de ser e

revelar vontade

 

e se o acaso que parecia tão rico

agora transformado em dor, a dor

do não ter dito, no instante sê

in

 

Rua das crianças, número 13

26 jan

Minha rua toda era de pedrinhas

não aquela que mandaram ladrilhar

não tinha brilhantes

tinha muito amor a passar

da casa de número treze

Dona Diquinha vinha

sempre espreitar

mas a criançada arteira

havia de escapar

daqueles tempos de menina

cada canto de minha rua

parecia feito para brincar

pique esconde, bandeirinha

era a maior correria

tanto tempo se passou

o Beto a Nini  

os outros peraltas do beco que fim deu?

onde foi que se meteu?

 

Claridade (Inspirado em África)

15 set

Corre em rio límpido

fresco nascente do tempo

levado margem após margem

com o gosto das bocas d’água

quente como o beijo

de tua paisagem

 

contei dúzias de enseadas

e fronteiras de benquerer

paralelamente traziam

fantasia e realidade

alegria e dor

 

mas o rio corre límpido

largo em direção do esquecer

foram tórridos os momentos

do sofrer

 

e lá no fim do curso

está a claridade pronta

do amanhecer

Dona, um ponto final

15 set

Aos poucos o desejo incontrolável de saber notícias tuas foi secando o lago. As lástimas também secaram. A noite acabou em dia e pela manhã percebi ser outono outra vez. As árvores continuavam a bailar. Pessoas passavam pela rua num corre-corre. Aos poucos fui me dando conta de que o tempo passou rápido demais. Era 1987. Toda a vida enumerada outra vez, capítulo por capítulo. Livros espalhados pelo chão, recortes, fotografias, bilhetes, rosas secas, lembranças embrulhadas com nó frouxo não sufocavam mais; sem nenhum valor. Era hora de partir. O casarão, o portão de ferro, a escada, pessoas falando sem parar, os flagrantes, os pequenos delitos pra te encontrar às escondidas… A vida alcançou um momento de sossego. Sem saber, cada coisa foi tomando o seu lugar.

%d blogueiros gostam disto: