A metamorfose é uma novela que encena “estranheza”

8 jul
Ao reler O Aleph, lembrei-me de Kafka, e, mais ainda, a leitura da obra “A metamorfose”. Sobre esta, partindo da necessidade de rever alguns conceitos.
A leitura da obra é extremamente atual, em que pese ter sido escrita em 1912, contextualizada no momento histórico da crise da “Bélle Époque” que antecede a 1ª Guerra Mundial, Kafka está em meio a uma crise existencial, religiosa e racional, poderia ser chamada de crise da modernidade.
Neste livro, fica evidente a desesperança do ser, o pessimismo com relação ao futuro, à falta de respostas às questões mais simples e as mais profundas. Enfim, A metamorfose é uma obra agressiva, verídica, mordaz e, acima de tudo, de resgate de valores e princípios.
A metamorfose do caixeiro viajante Gregor Samsa em um inseto nojento nos remete a uma série infindável de questionamentos, como solidão em sua plenitude, no íntimo indissolúvel, de nada adianta estar com alguém pois o passado e as experiências são únicos. E, perante o mundo e o todo há um nada insignificante. Daí talvez, a metamorfose tenha sido percebida por Gregor ao despertar pela manhã, imaginando-se num sonho que possivelmente somatizasse sua realidade. A necessidade de isolamento, de fuga, já que o protagonista sentia-se reconfortado em não mais ter compromisso com a família, trabalho e sociedade como um todo.
A morte reconciliada de Gregor.
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