Eça de Queirós à Fialho de Almeida ( Eça não se conformava que Fialho estranhasse a semelhança dos tipos de todos os seus romances).

25 jun

“Bristol, 8 de agosto de 1888.
Meu caro Fialho. – Os franceses falam muito do espalhafato que faz Satanás quando o mergulham dans un bénitier. Eu nunca assisti a esta escandalosa afronta feita ao venerável Pai da Mentira: nem V.tambem, suponho eu.
No entanto imagine V.como Belzebu berrará e escoicinhará, ao sentir o contato untuoso do detestado líquido. Pois, querido amigo, assim eu escoicinhei e berrei, enquanto V.com mão dura e forte me estava mergulhando na água benta da sua crônica sobre Os Maias. Mas, querido amigo, numa obra que pretende ser a reprodução duma sociedade uniforme, nivelada, chata, sem revelo e sem saliências, ( como a nossa incontestavelmente é) – como queria V., a menos que eu falseasse a pintura, que os meus tipos tivessem o destaque, a dessemelhança, a forte e crespa individualidade, a possante e destacante pessoalidade, que podem ter, e têm, os tipos duma vigorosa civilização como a da Paris ou de Londres!”

Outra coisa que Eça não podia compreender é que Fialho, justamente Fialho, pusesse em dúvida os detalhes realistas dos Maias. ” Oh homem de Deus, onde habita V.? Em Lisboa ou em Pequim? Tudo isto é visto, notado em flagrante, e por mim mesmo aturado sur place!”

MOOG, Vianna. Eça de Queirós e o século XIX. 6a. Ed.,Editora Nova Fronteira, 1977, RJ.

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