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A metamorfose é uma novela que encena “estranheza”

8 jul
Ao reler O Aleph, lembrei-me de Kafka, e, mais ainda, a leitura da obra “A metamorfose”. Sobre esta, partindo da necessidade de rever alguns conceitos.
A leitura da obra é extremamente atual, em que pese ter sido escrita em 1912, contextualizada no momento histórico da crise da “Bélle Époque” que antecede a 1ª Guerra Mundial, Kafka está em meio a uma crise existencial, religiosa e racional, poderia ser chamada de crise da modernidade.
Neste livro, fica evidente a desesperança do ser, o pessimismo com relação ao futuro, à falta de respostas às questões mais simples e as mais profundas. Enfim, A metamorfose é uma obra agressiva, verídica, mordaz e, acima de tudo, de resgate de valores e princípios.
A metamorfose do caixeiro viajante Gregor Samsa em um inseto nojento nos remete a uma série infindável de questionamentos, como solidão em sua plenitude, no íntimo indissolúvel, de nada adianta estar com alguém pois o passado e as experiências são únicos. E, perante o mundo e o todo há um nada insignificante. Daí talvez, a metamorfose tenha sido percebida por Gregor ao despertar pela manhã, imaginando-se num sonho que possivelmente somatizasse sua realidade. A necessidade de isolamento, de fuga, já que o protagonista sentia-se reconfortado em não mais ter compromisso com a família, trabalho e sociedade como um todo.
A morte reconciliada de Gregor.
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A Literatura Fantástica.

6 jul

O que representa na América Hispânica a chamada “nova narrativa hispano-americana”, que vai culminar com o uso da estética do fantástico(antes chamada de Realismo Mágico).
Para isso é preciso que se estabeleça uma diferença entre os escritores que pertencem ao Maravilhoso, ao Estranho e propriamente ao Fantástico.
Certa vez, li um texto de Borges: O Aleph. Incrível a sensação que me causou, o estranhamento. Esse texto foi discutido em sala de aula (aula do professor Luiz Fernando); parecia que eu tinha perdido alguma coisa, o fio da meada. Em pesquisa sobre o assunto encontrei autores magníficos como Carlos Fuentes, Manuel Puig. O professor com toda propriedade aguçou minha curiosidade, e então, de estranhamento – que é natural dos textos – passei a entender que O Aleph, simboliza o momento de uma vida, a partir da recriação do surreal o autor além da invenção da realidade cria uma outra acima desta fantasia. O Aleph é um dos pontos do espaço que contém todos os pontos. Borges, ao criá-lo ficcionalmente, apropria-se de conceitos metafísicos, sem contundo pretender à transcendência. Transgressão da realidade causando sentimentos.
A Literatura Fantástica provoca angústia e estranhamento ao leitor.
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