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Recontando…

27 jan

João e o pé de feijão.

 Era uma vez um menino muito esperto chamado João. Ele vivia com a mãe numa humilde casinha e sempre sonhou em um dia poder encontrar o seu pai, desaparecido desde quando ele ainda era muito pequenino.

A vida de Joãozinho e da sua mãe não era nada fácil. Sobreviviam das plantações, toda criação de ovelhas que seu pai lhes deixou já haviam sido vendidas para suprir as necessidades dos dois. Era muito difícil para uma mulher cuidar sozinha de um rebanho com uma criança pequena.

Agora que João já estava mais crescidinho. Dona Maria o colocava para ajudá-la na horta e a vender as verduras na cidade, mas infelizmente neste verão, uma enorme tempestade acabou com o trabalho do ano inteiro e só o que lhes restou foi uma velha vaca que nem produzia mais leite.

Um dia Joãozinho propôs a sua mãe que vendessem a vaca, pelo menos conseguiriam dinheiro para recomeçar a plantação. Então, foi João com a vaca a caminho da cidade. Durante o percurso, João deparou com um senhor, aproveitou para oferecer-lhe a vaca, mas antes que o menino pronunciasse qualquer palavra o velho lhe disse:

– Olá menino, para onde vai com essa vaca?

– Vou em busca de um comprador para esta vaca. – respondeu João.

– E você acha que conseguirá uma quantia suficiente para matar a sua fome e de sua mãe?

 

João assustado com as palavras do velhinho, perguntou-lhe:

– Como o senhor sabe que irei vendê-la para esse fim?

– Sei isso e muito mais – responde o velhinho.- Fique tranqüilo menino, sei sua triste história e quero lhe propor uma troca.

– Como assim, o que tem a me oferecer em troca da vaca?

– Tenho cinco grãos de feijões mágicos. Com eles, você encontrará aquilo que tanto sonhas. Você tem um sonho não tem menino?

– Sim, tenho. – respondeu Joãozinho.

– E você acredita que ele um dia poderá se realizar.

– Sim, tenho toda certeza.

– Então plante estas sementes, espere e encontrará as respostas.

O negócio foi feito. Como numa mágica o velho com a vaca desapareceu. João ficou assustado procurando ao seu redor sem entender para onde teriam ido. O pensamento de João estava longe, via muitas alegrias para o futuro. Correu com toda velocidade para chegar mais rápido em casa e contar a novidade para sua mãe.

– Mãe, mãe! – gritava João ao aproximar-se de casa.

– Meu filho, já de volta? Conseguiu vender a vaca rapidamente. Fez bom negócio?

– Fique calma mãe e ouça o que tenho pra lhe contar. Não vendi a vaquinha.

– Como assim? Perguntou-lhe sua mãe aflita.

– Conheci um bom velhinho e nós trocamos a vaca por sementes mágicas, ele disse que com elas encontrarei aquilo que mais sonho.

– Mais João, nós não vivemos de sonhos!

João viu a tristeza nos olhos de sua mãe, mas não perdeu as esperanças de dias melhores. Logo que amanheceu João tratou de plantar as sementes do feijão mágico, mas naquele dia nada aconteceu. João ficou decepcionado, resolveu esperar mais um pouco. Á noite, João teve um lindo sonho. Corria no campo com seu pai, soltavam pipas e gritava alto. – Quero ir além das nuvens!

E assim João acordou, ficou pensando no sonho sem entender. De repente deu um pulo da cama e correu para o quintal. Foi então que encontrou um imenso pé de feijão. Curioso, João subiu no pé e não parava mais de subir. Era tão alto, tão alto que João lá de cima começou a ver sua casa sumindo, sumindo, cada vez menor. E quão foi sua surpresa ao chegar ao final do pé de feijão e ver um imenso castelo. Tão imenso que João não alcançava a maçaneta da porta.

Neste momento João ouviu passos que sacudiram o chão de nuvens. Ele escondeu-se ao ver o tamanho do homem que se aproximava e abriu a porta do castelo. Era um homem gigantesco, muito feio, com cara de mau. João teve muito medo, mas não podia fraquejar agora. Lembrava das palavras do velhinho que lhe deu as sementes.

Aproveitando que o gigante deixara a porta do castelo aberta por um instante, João entrou e ficou impressionado com tanta riqueza. Todos os objetos do castelo eram de ouro. O menino ficou hipnotizado quando ouviu o gigante ordenar em alto tom a uma galinha que colocasse mais ovos. A pobrezinha assustada e infeliz pôs-se a sacudir-se e então os ovos, bonitos e dourados iam caindo uma a um. João distraído foi encontrado pela esposa do gigante, mas para sua surpresa a mulher era boazinha, queria protegê-lo do marido, pegou João com carinho e o colocou dentro do forno quando viu que o gigante se aproximava. A mulher sussurrou baixinho:

– Fique quietinho por que se ele o encontrar é um menino morto.

– Com quem você fala mulher? – perguntou o gigante desconfiado.

– Largue de maluquice, falo sozinha – disfarçou a mulher e fingiu limpar o forno.

Até então, João não conseguia entender qual foi o propósito do velhinho ao lhe dar as sementes de feijão. Logo João ouviu um choro vindo de outro cômodo do castelo, tentou ir ver do que se tratava, mas a mulher o impediu. Deu-lhe um saco cheio de moedas de ouro e disse:

– Pegue essas moedas e nunca mais volte aqui.

João pegou as moedas e desceu o enorme pé de feijão de volta a sua casa. Ao chegar, sua mãe o esperava preocupada com seu sumiço. Ao vê-lo o abraçou bem forte dizendo:

– João meu filho, nunca mais saia sem me avisar. Pensei que o havia perdido como aconteceu com seu pai.

João feliz exclamou:

– Mãe, jamais a deixaria ficar sozinha. Olhe o que eu trouxe moedas de ouro.

Sua mãe imediatamente quis saber como João conseguiu tanto ouro. Depois de ouvir o que João tinha a dizer, como uma mãe zelosa que era, quis tirar toda aquela história a limpo e pôs-se a subir no pé de feijão e João foi subindo logo atrás. Ao chegarem ao castelo aconteceu o mesmo antes, a porta ficou entre aberta e os dois conseguiram entrar nas dependências do castelo. Foi então que descobriram a harpa mágica. Os gigantes estavam dormindo, por isso não viram quando João e sua mãe tentavam descobrir um jeito de libertar uma mulher que chorava na dentro da harpa, mas ao analisar com cuidado, perceberam que aquela mulher era a imagem da mãe de João refletida, ela chorava a dor de ver seu esposo preso na harpa. Os dois continuaram com muito sacrifício arrastando a harpa para próximo do pé de feijão. Quando já estavam no meio do caminho o gigante acordou, saiu correndo atrás dos dois, mas era tarde demais, pois conseguiram alcançar o chão e o encanto foi desfeito.

O pai de João libertou-se da harpa e o gigante e o pé de feijão desapareceram no ar. Assim eles seguiram cuidando de suas ovelhinhas e da lavoura que reconstruíram com o suor do trabalho e foram felizes para sempre.

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